| 12 Homens e uma Sentença |
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| Escrito por Pedro Henrique | ||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Sex, 20 de Fevereiro de 2009 03:43 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||
![]() ![]() Em seu primeiro trabalho como diretor de um longa-metragem para o cinema, o hoje autoral Sidney Lumet não poupou esforços para moldar um dos filmes mais fantásticos da história do cinema. Com uma direção genial, composta por delirantes ângulos e planos americanos, Lumet entregou mais uma obra-prima para a gloriosa década de 50. A rigor, o filme de Lumet é uma sucessão de diálogos brilhantes e cortes impecáveis, onde o diretor consegue transmitir a angústia dos personagens apenas com enquadramentos e closes. O diretor arremessa sem cerimônia o espectador, que assiste a tudo extasiado, para dentro da história. 12 Homens e Uma Sentença fala diretamente à razão e mostra que nossas escolhas merecem ser repensadas, sempre. Essa obra-prima de Sidney Lumet é a prova de que uma história não precisa ser necessariamente complexa e provida de material didático intelectual para funcionar. Com um argumento seco e direto, sem enfeites e com personagens fortes e realistas, 12 Homens e Uma Sentença mantém o espectador vidrado na tela, literalmente embasbacado com o que vê diante de seus olhos. Mais que uma aula de cinema, o filme é um ensaio sobre a gramática cinematográfica e um exercício completo sobre a condução da narrativa. Mas que deve ser revisto muitas vezes, pois a direção de Lumet é tão discreta quanto eficiente e pode não denunciar todo o seu brilhantismo logo à primeira vista. O filme conta a história dos doze homens do título que fazem parte do júri encarregado de decidir o futuro de um menino acusado de matar o pai a facadas. O filme, que foi filmado em uma única locação, com exceção da primeira e da última cena – pouco mais de três minutos de duração – é ambientado na sala do júri, onde será decidido se o garoto será condenado ou não. A decupagem e o desenrolar da trama é conduzido com maestria de um mestre, definitivamente não percebemos que estamos nos envolvendo tanto com um filme dirigido por um estreante. A maneira como Lumet vai preenchendo as lacunas deixadas pelo quebra-cabeça criado pelo roteiro de Reginald Rose é espectacular, e qualquer desvio de atenção ameniza e absorve a tensão eletrizante elaborada com precisão pelo diretor. Para tanto, Lumet contou com um elenco excelente comandado por Henry Fonda, que está demais vivendo o único homem sensato do grupo. Na verdade, Henry é o único homem do júri que não concorda com a decisão parcial dos outros onze, e o ator consegue ser elegante ao mesmo tempo em que demonstra certa ansiedade que o personagem exige. Grande interpretação. O restante do elenco, em especial Lee J. Cobb e Jack Warden, está fantástico e ajuda a compor esta grande realização. Lumet dá uma aula de como coordenar um elenco. Aliás, o clima clastrofóbico só aumenta quando os pequenos detalhes - os panos que secam o suor que escorre do rosto dos jurados, o fato do filme se passar num dia muito quente - inseridos pelo diretor injetam a tensão e deixam o espectador com os nervos em frangalhos, ávido pela solução, que, deve-se dizer, não poderia ser mais competente. Mas esta obra-prima de Lumet não é "só" isso. 12 Homens e Uma Sentença é um poderoso estudo do comportamento humano em grupo, onde a obviedade não tem vez e, além disso, demonstra que nós somos reféns de que tem o poder e que muitas vezes não estão nem aí para nada nem ninguém. O subtexto é fundamentado e muito bem articulado pelo roteiro, que utiliza a narrativa clássica muito bem a favor da coerência apresentada durante a metragem. A rigor, os enquadramentos que vão ganhando lentes cada vez mais amplas ao longo da investigação explicitada no roteiro, tem a função de transmitir essa sensação agoniante e de peso na consciência que os personagens enfrentam. O espectador não precisa ficar aguardando pelo clímax, já que ele está presente em grande parte do filme. Nada mal para uma estréia, que só não levou Oscar porque David Lean apareceu com seu apoteótico A Ponte Rio Kwai e abocanhou quase todos os prêmios principais - incluindo melhor filme e diretor. Aliás, foi um grande ano para a Academia, que ainda contou com o ótimo drama Sayonara, estrelado por Marlon Brando e dirigido por Joshua Logan, além, é claro, do genial Testemunha de Acusação, de Billy Wilder. Para quem começou a carreira enfrentando os gigantes, Lumet mandou bem demais. Afinal, hoje ele é um deles.
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